O flanelinha é o primo pobre da Multipark
Semana passada, fui ao Centro de Convenções e, na vã esperença de me livrar da taxa de contribuição do lucro alheio da MultiPark, fui estacionar na calçada em frente à entrada de pedestres. Desço do carro e logo chega um cidadão, com aquele clássico bigode ralo de malandro, a meter a mão no bolso até tirar um monte de papel amassado. Cata um deles e me dá: "2 real". Não havia nenhuma concorrência por aquelas vagas, um ou dois carros estacionados. Eu disse óbvio que não iria pagar coisíssima nenhuma, o cara começou a resmungar e eu decidi tirar o carro dali e colocar do outro lado da rua, um pouco mais distante.Depois fiquei a pensar como o sujeito incorporou o espírito Multipark. Não importa se tem muito ou pouco carro estacionado, sempre cobra-se o mesmo preço. Me lembrei de Rousseu e pensei: no fundo, o flanelinha representa a essência da exploração do homem pelo homem. Como disse o francês, toda essa desgraça começou quando uma pessoal cercou uma terra e disse: "esse pedaço aqui é meu". O flanelinha, um fudido, reproduz o que ele vê por aí, e o cidadão que faz ponto na frente do centro de convenções é a expressão caricata disso, um enorme terreno que passa a maioria dos dias vazio, cercado e que cobra para estacionar. O flanelinha é primo pobre do dono da Multipark, ele sonha em ampliar os negócios, regularizar a atividade, contratar novos funcionários (como já existe no Recife Antigo) e ver sua empresa prosperar. Com algum dinheiro acumulado, vai começar a influenciar na política: apoiar um deputado que vai dar uma forcinha para ele fechar um contrato com o governo e passar a gerir algum estacionamento oficial, quem sabe até o do Centro de Convenções.

1 comentários:
Ô, Giliate... Parece que a família do Multipark é enorme =D
8 de Novembro de 2009 16h32min0s PSTTenho acompanhado teu blog.
bjs
Postar um comentário